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sexta-feira, 8 de junho de 2012

MORRE RAY BRADBURY

Ray Bradbury

Ray Bradbury, o lendário escritor americano de ficção científica, autor de "Fahrenheit 451" e de "Crônicas Marcianas", faleceu aos 91 anos, anunciou a família nesta quarta-feira (06/05/2012). Sua editora HarperCollins confirmou que o autor morreu na terça-feira em sua casa de Los Angeles, após uma "longa doença", enquanto as homenagens de sua família e admiradores começavam a florescer. 

O jovem Ray


"Em uma carreira de mais de 70 anos, Ray Bradbury levou gerações de leitores a sonhar, pensar e criar", declarou a editora em um comunicado. Ray Bradbury havia sofrido um derrame cerebral em 1999, mas conseguiu retomar seu trabalho alguns anos depois. "O mundo perdeu um dos melhores escritores que conheceu e um dos homens mais queridos para mim. RIP Ray Bradbury (avô Nº 1)", escreveu no Twitter seu neto, Danny Karapetian. 

Bradbury na Calçada da Fama


Flores foram deixadas em sua estrela, na Calçada da Fama, em Hollywood. A ficção de Bradbury revelou um autor preocupado com a vida espiritual da Humanidade diante do materialismo da sociedade. Sua obra mais lembrada, "Fahrenheit 451" (1953), escrita em plena Guerra Fria, aponta os males da censura e do controle do pensamento em um Estado totalitário. A história ficou famosa em todo o mundo após a adaptação para o cinema do cineasta François Truffaut em 1966. 

Fahrenheit 451

O livro entrou de forma brilhante na tradição de grandes livros "distópicos" (em oposição aos "utópicos"), descrevendo sociedades onde um governo autoritário central, oprime a totalidade ou parte dos seus cidadãos. Um gênero ilustrado anteriormente por "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, ou "1984", de George Orwell, mas que Ray Bradbury introduziu ao público em geral, e que continua a ser extremamente popular hoje, como evidenciado pelo sucesso do livro da série "Hunger Games" ("Jogos Vorazes"), da americana Suzanne Collins, recentemente adaptado para o cinema. 


Bradbury em foto recente

Um escritor prolífico (600 contos, 30 romances, poemas), Ray Bradbury escreveu também muitas peças de teatro e roteiros para filmes, como "Moby Dick" (1956) para John Huston, mas também para a televisão, incluindo "Quinta Dimensão" e episódios de "Alfred Hitchcock Presents/Suspense". 

O Teatro de Ray Bradbury

De 1985 a 1992 Bradbury apresentou uma série de TV, The Ray Bradbury Theater/O Teatro de Ray Bradbury, contos fantásticos e fascinantes. Com fotografia profunda e roteiro elegante, como é de se imaginar para o qual ele adaptou 65 de suas histórias. Cada episódio começava com uma tomada de Bradbury em sua sala, sua intrigante sala, olhando para momentos de sua vida, que ele diz (na narrativa) que são usados para dar idéias para suas histórias. 


As Crônicas Marcianas

Danny Karapetian declarou ao blog io9 que seu avô "influenciou artistas, escritores, professores e cientistas". "Sua herança está em sua monumental produção de livros (e obras) para cinema, televisão e teatro, e também, o mais importante, no espírito e coração de todos que o leram, porque ler seus livros, significa conhecê-lo", acrescentou. 

O desenho de Bradbury 

O escritor vendeu mais de 8 milhões de livros, que foram traduzidos em 36 línguas. Nasceu em 22 de agosto de 1920, em Waukegan (Illinois, norte dos Estados Unidos), Raymond Douglas Bradbury descobriu a literatura aos 7 anos de idade com Edgar Poe. Filho de filho de um pai engenheiro e mãe de ascendência sueca, tinha 14 anos quando seus pais se mudaram para Los Angeles. 

Bradbury com o casal George e Laura Bush

"A grande diversão na minha vida foi levantar a cada manhã e correr para a máquina de escrever porque alguma nova ideia havia me ocorrido", declarou Bradbury em 2000. "A sensação que tenho a cada dia é, em grande medida, a mesma que quando tinha 12 anos", disse ao celebrar 80 anos. A fama internacional veio a partir da publicação em 1950 de "Crônicas", um livro elaborado a partir de vários contos curtos.

domingo, 25 de março de 2012

EDITORIAL – EDGAR RICE BURROUGHS

Edgar Rice Burroughs

Edgar Rice Burroughs foi um notável escritor norte-americano, nascido em 1 de setembro de 1875, em Chicago, Illinois e se tornou muito conhecido mundialmente pelas suas obras, principalmente pela criação do herói da selva Tarzan. Estudou em diversas escolas e mais tarde foi para Phillips Academy em Andover, Massachusetts e posteriormente para a Academia Militar de Michigan.
Graduou-se em 1895, tentou entrar para a famosa Academia Militar de West Point e não conseguindo alistou-se como soldado na cavalaria no Território do Arizona.

Edgar com um exemplar de Tarzan and The Lion Man

Pouco tempo depois foi diagnosticado com um problema no coração e a partir de então teve diversos empregos curtos, inclusive trabalhando um tempo na fazenda. Depois encontrou um lugar na empresa em que seu pai trabalhava e em 1900 casou-se com Emma Centennia Hulbert.
Quatro anos mais tarde voltou para Chicago onde trabalhou em emprego de baixo salário e em 1911 começou a escrever seus primeiros livros de ficção. Por este tempo Burroughs e Emma tinham dois filhos, Joan e Hulbert e começou a vender suas histórias para as revistas pulp fiction por alguns dólares.


The All-Story Magazine

Pouco tempo depois passou a assumir sua vida de escritor por tempo integral e em 1912 publicou a série “A Princess of Mars” e “Tarzan of the Apes” e a partir de então sua vida começou a melhorar gradativamente. Em 1913, nasceu o seu terceiro filho chamado John Coleman.
Tarzan é um personagem de ficção criado pelo escritor na revista pulp All-Story Magazine em 1912 e publicado em formato livro em 1914[6]. O personagem apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos. Outros escritores também escreveram obras com o herói: Barton Werper, Fritz Leiber, Philip José Farmer etc.

A Princess of Mars (capa Frank Frazetta)

Edgar Rice havia iniciado os escritos sobre Marte em forma de contos, publicados em 1912 e denominados "Under the Moons of Mars". Depois foram reunidos no livro Uma Princesa de Marte de 1917.
A série continuaria em mais dez livros, sendo que John Carter seria o protagonista nos seguintes: The Gods of Mars (1918) (o segundo), The Warlord of Mars (1919) (o terceiro), Swords of Mars (1936) (o oitavo), Llana of Gathol (1948) (o décimo) e John Carter of Mars (1964) (o décimo primeiro). John Carter é o principal coadjuvante em Thuvia, Maid of Mars (1920) (o quarto) e Synthetic Men of Mars (1940) (o nono).


John Carter (Editora Dell)

Durante sua vida, Burroughs escreveu aventuras populares que iam da ficção científica às histórias de fantasia, mas foi com Tarzan que ele realmente se notabilizou, assim como capitalizou a popularidade de Tarzan de todas as maneiras possíveis, tais como filmes, comics book e até mercadorias.
Em 1923, Burroughs criou sua própria empresa, a Edgar Rice Burroughs, Inc., e começou a imprimir seus próprios livros até a metade de 1930. Em 1934 divorciou-se de Emma e casou novamente com a ex-atriz Florence Gilbert Dearholt e se divorciou em 1942.

John Carter - Entre Dois Mundos

Mais tarde quando os Estados Unidos foram atacados pelos japoneses em Pearl Harbor, Burroughs se tornou correspondente de guerra e quando a guerra terminou voltou para a Califórnia, onde passou a enfrentar diversos problemas de saúde, até o seu falecimento em 19 de março de 1950, de um ataque cardíaco. Em toda sua vida, Burroughs escreveu por volta de setenta romances.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

EDITORIAL – DANIEL PIZA EM BELEM

Daniel Piza

No dia 30 para o dia 31 de dezembro de 2011 faleceu o escritor e jornalista Daniel Piza, vitima de um acidente vascular cerebral.
Daniel esteve em Belém durante a XV Feira Pan amazônica do Livro e falou sobre sua carreira e seus diversos livros.
Caso você não o conheça...
Daniel Piza, que nasceu em São Paulo em 1970 e estudou Direito no Largo de São Francisco (USP), começou sua carreira de jornalista em O Estado de S. Paulo (1991-92), onde foi repórter do Caderno2 e editor-assistente do Cultura.



Trabalhou em seguida na Folha de S. Paulo (1992-95), como repórter e editor-assistente da Ilustrada, cobrindo especialmente as áreas de livros e artes visuais. Foi editor e colunista do caderno Fim de Semana da Gazeta Mercantil (1995-2000). Em maio de 2000, retornou ao Estado como editor-executivo e colunista cultural; desde 2004 assina também uma coluna sobre futebol.
Traduziu seis títulos, de autores como Herman Melville e Henry James, e organizou seis outros, nas áreas de jornalismo cultural e literatura brasileira. Escreveu 17 livros, entre eles Jornalismo Cultural (2003), a biografia Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro (2005), Aforismos sem Juízo (2008) e os contos de Noites Urbanas (2010). Fez também os roteiros dos documentários São Paulo - Retratos do Mundo e Um Paraíso Perdido - Amazônia de Euclides.




Escreveu vários livros:
Na ficção escreveu: "As Senhoritas de Nova York - Descoberta de Pablo Picasso" (FTD, 1996); "Mundois" (Bei, 2001); "Noites Urbanas - Contos" (Bertrand Brasil, 2010)


Foi um escritor bastante eclético, falando, inclusive, sobre futebol em "Ora, Bolas - Da Copa de 98 ao Penta" (Nova Alexandria, 2003). Livro que mostra sua visão sobre o futebol brasileiro e a paixão brasileira pela copa do Mundo.
Três livros bastante comentados por Piza durante sua palestra na feira foram: "Jornalismo Cultural" (Contexto, 2003); "Amazônia de Euclides" (Leya, 2010) e "Dez Anos que Encolheram o Mundo" (Leya, 2011).



Durante sua vida, Piza foi bastante critico e em seu blog uma das ultimas criticas, falava sob a postura das pessoas durante as festas de fim de ano, especificamente o Natal:
“Nesta época é comum ver, além das retrospectivas, os apelos piegas ao tal espírito natalino, abusos de expressões como “renovar esperanças”, previsões furadas de astrólogos, tarólogos e outros loucos, textos que lamentam onde estão os natais d’antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes. Meu impulso é perguntar por que as pessoas não procuram ser assim o ano todo, e não apenas no solstício que foi apropriado pela religião e pelo folclore para se tornar uma data paradoxal em que se discursa sobre bons sentimentos enquanto se consome em ritmo febril; até mesmo os nacionalistas se calam diante do fato de que a festa não tem cara do calor de 34 graus. E então me ponho a pensar em como generosidade e respeito, para ficar só nesses dois itens, andam em falta nos tempos atuais, especialmente nas grandes cidades, e em como a tecnologia que deveria nos aproximar nos tem dispersado. Mas lembro os Natais de infância, comparo com o dos meus filhos e as diferenças se tornam irrelevantes, porque os prazeres e as questões são muito parecidos. E os dias deliciosamente desocupados, desacelerados, convidam ao balanço do ano, ainda que tenha tido tantas tristezas em meu caso, e sem balanço não há avanço”.
Foi uma alegria muito grande conhecê-lo Daniel.

Daniel e Carlos Amorim